21 de jun. de 2007

Soneto da fonte mágica (de Alma Welt)

(23)

Ah! jovem poeta que me vês
Como um anjo e declaras isso a mim!
Como deixar de ser o que tu lês,
Se ao projetares, amor me faz assim?

Nós mulheres somos seres encantados,
Essa é nossa glória, não se iludam:
Viemos para o sonho dos amados,
Os olhos dos amores nos transmudam.

Mas, cuidado: a fonte mágica do amante
Nos reconstrói pra que amor nunca se canse,
Como a de *Haggard, no seu belo romance

Em que a rainha Ela, para amar
Banhou-se outra vez no mesmo olhar
E então se destruiu naquele instante...

20/12/2006

Nota da editora:

* Haggard- Alma alude ao romancista inglês H.Ryder Haggard
autor do célebre romance "As Minas do rei Salomão",
que traduzido para o português pelo grande Eça de Queirós
constitui caso raro de tradução superior ao original.
Aqui no soneto, Alma se refere ao romance menos conhecido
de Haggard "She" (Ela), de caráter esotérico e reencarnacionista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Afinal podemos visitar um blog da Alma. Sofri demais com a sua morte e vivo procurando coisas novas, quero dizer, póstumas, dela na internet. Obrigada Lucia, em nome de tantos admiradores da bela e grande poetisa, pela tua iniciativa.Que maravilha esses sonetos "pampianos". Já se percebe que eles vão mesmo configurando uma saga interior dessa alma linda que era ( e é) a Alma.